Como Avaliar Riscos Psicossociais no Trabalho, Por Que Isso É Importante e Quando a Obrigatoriedade Legal Entrará em Vigor

O bem-estar dos trabalhadores nunca foi um tema tão central nas discussões sobre gestão e produtividade. Temas como burnout, estresse crônico e ansiedade deixaram de ser tabu para se tornarem pautas urgentes. Nesse cenário, identificar e gerenciar os fatores de riscos psicossociais — aspectos da organização do trabalho, do ambiente social e do conteúdo das tarefas que podem causar danos psicológicos ou físicos — é uma medida fundamental de prevenção, uma exigência legal e uma estratégia de gestão de pessoas.

A Importância dos Riscos Psicossociais

Em 2024, o Brasil registrou quase 500 mil afastamentos por transtornos mentais — como ansiedade e depressão — segundo dados do Ministério da Previdência Social. Esses números revelam uma realidade preocupante: o sofrimento psicológico no trabalho tem impacto direto na saúde do trabalhador, na produtividade das equipes e nos custos das empresas.

Gerenciar riscos psicossociais significa atuar sobre as condições de trabalho — como organização das tarefas, jornadas, pressão por metas, comunicação interna e suportes sociais — e não apenas focar nas características individuais do trabalhador.

O Que a Lei Exige (NR-1 e Riscos Psicossociais)

Com as discussões conduzidas na Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atualizou a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) para incluir, de maneira explícita, a obrigação de gerenciar fatores de risco psicossociais no ambiente de trabalho como parte do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Data de vigência oficial

A nova redação do capítulo 1.5 da NR-1, que incorpora os riscos psicossociais ao escopo do GRO, terá sua vigência plena a partir de 25/26 de maio de 2026. Até lá, há um período de caráter educativo, no qual as empresas devem se preparar — mas sem aplicação de penalidades imediatas.

Ou seja, a partir de maio de 2026, a fiscalização pelo Ministério do Trabalho e Emprego passará a aplicar autos de infração e penalidades administrativas, caso não se comprove a gestão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Diferença Entre Abordagens Quantitativa e Qualitativa

Metodologia Quantitativa

Utiliza questionários padronizados e escalas para medir a frequência e intensidade de fatores de risco. Tem vantagens como comparabilidade e acompanhamento de tendências, mas pode não explicar por que os problemas existem.

Metodologia Qualitativa

Foca nas experiências, narrativas e percepções dos trabalhadores. Fornece profundidade e contexto, ajudando a entender as causas-raiz. Ambas são complementares, mas a qualitativa é essencial para desenhar ações eficazes e sustentáveis.

Ferramentas Essenciais para a Avaliação Qualitativa

Essas metodologias são indicadas tanto pelo Guia de Informações sobre Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho do MTE quanto pela ABNT NBR ISO 45003: Gestão da Saúde e Segurança Psicológica no Trabalho.

Entrevistas Individuais Semi-estruturadas
Permitem aprofundar temas sensíveis e ouvir o trabalhador sem viés de respostas padronizadas.

Grupos Focais
Reúnem pequenos grupos para explorar coletivamente temas como comunicação, pressões e cultura interna.

Observação Participante
O avaliador acompanha o trabalho real para entender diferenças entre o que está formalizado e o que ocorre de fato.

Análise Documental
Inclui olhar sobre indicadores como absenteísmo, rotatividade, reclamações internas e relatórios de saúde ocupacional.

Melhores Práticas para uma Avaliação Eficaz

Envolvimento da Liderança
Sem o compromisso real da direção, a avaliação é superficial.

Estratégia de Engajamento
Comunicação clara sobre objetivos, processos e garantias de confidencialidade é essencial para participação genuína.

Sigilo e Confidencialidade
Trabalhadores precisam sentir segurança para relatar experiências sem medo de retaliação.

Equipe Multidisciplinar
Combinar conhecimentos de RH, SESMT, psicologia, ergonomia e gestão fortalece o diagnóstico e a construção de soluções.

O Papel dos Trabalhadores e da CIPA

A participação ativa dos trabalhadores e de seus representantes (como a CIPA) é um elemento decisivo para o sucesso da avaliação e das intervenções. Reconhecê-los como especialistas de sua própria atividade fortalece a credibilidade do processo e facilita a implementação de medidas de melhoria.

Consequências da Negligência

Ignorar os riscos psicossociais ou tratá-los de forma superficial traz consequências sérias:

✔ Falsas expectativas e descrédito da gestão
✔ Respostas mecanizadas ou enviesadas
✔ Simplificação de problemas complexos
✔ Fadiga de pesquisa sem retorno
✔ Foco em indicadores e não em causas reais

Soluthec e a Gestão de Riscos Psicossociais

A Soluthec apoia empresas a estruturar processos de avaliação e gestão de riscos psicossociais que atendam tanto à legislação (a vigorar em maio de 2026). Atuamos desde diagnósticos integrados até a implementação de planos de ação, garantindo conformidade, melhoria contínua e impactos positivos na saúde organizacional.

Conclusão

Avaliar e gerenciar riscos psicossociais é, hoje, obrigação legal, necessidade estratégica e um compromisso com a saúde e a produtividade dos trabalhadores.

A partir de 25/26 de maio de 2026, as empresas estarão sujeitas à fiscalização efetiva e penalidades se não demonstrarem atuação sistemática e documentada sobre esses riscos no PGR — com foco na prevenção ocupacional e melhoria contínua.

Cuidar da saúde mental no trabalho é cuidar do futuro da sua empresa.

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